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sábado, 15 de fevereiro de 2014

PASSAGEIROS FANTASMAS (Contos verídicos)

Em 1943, residia eu em Campina Grande, na Paraíba, onde fui testemunha de tudo o que passo a relatar. Existe uma estrada de rodagem que liga aquela cidade à de Patos, dela distante 35 léguas. A viagem por essa estrada é longa e bastante arriscada, principalmente entre Juazeirinho e Patos, ligadas pela Serra da Viração, onde se encontra a passagem mais perigosa do percurso, ou seja, um despenhadeiro de mais de 200 metros. Nesse local, já ocorreram até meados de 1951 nada menos de 183 desastres fatais. Certa vez, pelas 9 e meia da noite, achavam-me em companhia de amigos tomando umas cervejas num bar situado na praça de Campina Grande em bem defronte do ponto onde estacionavam os carros de aluguel, quando nossa atenção foi despertada por uma automóvel que chegava em grande velocidade, freiando bruscamente em frente ao estabelecimento. Imediatamente o carro ficou cercado de curiosos, motoristas de praça, freqüentadores do bar e outras pessoas. Vimos então que o taxista estava transfigurado e que alguma coisa de anormal lhe acontecera, pois além de sua palidez, o homem não conseguia articular uma só palavra. Foi carregado para o bar, onde lhe deram um pouco d'água, mas só depois de longo tempo se reanimou. Com dificuldade, a princípio, e dando mostras de grande pavor, o rapaz passou a contar o que lhe sucedera, tal como abaixo: - Foi uma coisa terrível! Eu peguei uma família que queria ir até Patos e para ali segui muito bem. Deixei os fregueses e providenciei para regressar o mais cedo possível, já pensando na travessia da serra, à noite. Jantei no hotel, depois mandei encher o tanque de gasolina, e, às 18 horas, como não aparecia passageiro algum para a volta, vim sozinho. Ao chegar à descida do morro da Viração, o motor parou, de repente. Desci e fui ver o que havia: era uma das velas que estava frouxa. Reparado o defeito, entrei novamente no carro. Mal bati a porta, senti duas pancadinhas no ombro direito... Virando-me, vi dois homens, altos e vestidos de branco. Tomei um susto tremendo, pois não tinha visto pessoa alguma na estrada, onde tudo estava deserto... Mal, entretanto, olhei para trás, um daqueles passageiros me disse com voz fanhosa, cujo som ainda tenho gravado nos ouvidos: - Siga a toda velocidade, sem olhar para trás, pois temos que chegar a Campina Grande antes da 10 horas! - É fácil imaginar como arranquei a toda velocidade, vindo por aí feito um doido... Nem sei como não rolei num barranco... Suava frio e nem coragem tinha para olhar pelo espelho, para certificar-me se os dois cavaleiros permaneciam sentados. Só aqui, na estrada de Campina Grande, foi que arrisquei uma olhadela, para constatar com espanto que não havia vivalma no banco de trás!... Vim "tocando" pela estrada, a mais de 100 quilômetros, não me lembrando de mais nada, nem como parei aqui... Aquele motorista, pelo que se soube, jurou nunca mais atravessar sozinho, que de dia, quer de noite, o assombrado trecho da Serra da Viração e, decerto cumpriu sua promessa!